O Climate Finance Hub Brasil acaba de divulgar os resultados do seu primeiro ciclo de avaliação sobre a maturidade da transição climática de empresas com operações no país.
A análise, conduzida entre 2024 e 2025, avaliou empresas que atuam no Brasil, responsáveis juntas por mais de 80% da produção de cada um de 7 setores da economia. Os estudos setoriais se basearam na metodologia internacional ACT (Accelerate Climate Transition), com utilização de dados públicos divulgados pelas companhias avaliadas, como relatórios de sustentabilidade e inventários de emissões.
Os resultados mostram avanços importantes:
- Os setores brasileiros avaliados apresentam performance superior à média internacional, o que demonstra maior maturidade nos compromissos e ações das nossas companhias com vistas à transição climática;
- Os resultados reforçam as vantagens comparativas dos setores brasileiros, especialmente em virtude da matriz elétrica majoritariamente renovável e a utilização de insumos de menor emissão (ex: biomassa)
Ao mesmo tempo, observam-se oportunidades de melhoria, como:
- Definição de metas: apenas 18% das empresas possuem metas para emissões de escopo 3
- Reporte de emissões: 13% ainda não reportam ao menos uma categoria de escopo 3
- Cerca de 60% das empresas avaliadas reportam metas climáticas públicas, porém apenas 20% têm metas climáticas ativas ou compromissos formais junto ao SBTi
- Em torno de 50% das empresas incorporam clima na remuneração executiva;
- Melhoria no reporte público de informações, como relatórios de sustentabilidade, inventário de emissões de GEE, para possibilitar avaliações robustas: dentre as empresas mapeadas, 52% não apresentaram relatório de sustentabilidade e/ou inventário de emissões de GEE
“As avaliações conduzidas pelo CFH Brasil, baseadas em metodologias setoriais robustas e internacionalmente reconhecidas, vão além da análise de emissões ao incorporar dimensões como investimentos em tecnologias de baixo carbono e alinhamento estratégico. Os resultados evidenciam as vantagens comparativas dos setores brasileiros, posicionando as empresas com operações no país de forma competitiva na agenda global de transição climática. Entre as oportunidades de melhoria, destaca-se a necessidade de maior transparência de dados, o que deve avançar a partir da adoção do IFRS S2, que apresenta alta sinergia com as metodologias utilizadas pelo CFH Brasil ” (Sofia Carra, Diretora de Transição Climática do CFH Brasil).
A avaliação reforça um ponto central: a transição está em curso, mas ainda carece de maior ambição, transparência e padronização.
Os resultados podem apoiar decisões estratégicas de empresas, instituições financeiras, governo e sociedade civil, especialmente na mobilização de capital para promover a transição climática.
Para entender os dados completos e os recortes setoriais, acesse a factsheet completa.